Apneia obstrutiva do sono em crianças

02/22/2017

Tratamento Ortodôntico ajuda crianças com apneia obstrutiva do sono

O diagnóstico precoce é essencial para evitar implicações de saúde

A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é caracterizada por uma pausa de alguns segundos na respiração, diversas vezes durante a noite. Estudos recentes relatam que a prevalência desse distúrbio nas crianças varia entre 1,2 e 5,7%. No Brasil, a incidência de ronco habitual na idade escolar é de 27,6%. Quando não tratada, as consequências podem ser sérias, muito além do sono de má qualidade.

Na infância, a apneia do sono tem características clínicas completamente diferentes em relação ao adulto. O mestre e especialista em Ortodontia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Rowdley Rossi, Professor de Odontologia do Sono do Instituto do Sono, aponta que a SAOS pode afetar o crescimento e está associada à baixa performance acadêmica, alterações no desenvolvimento cognitivo, complicações no sistema cardiovascular e problemas de comportamento. “Muitos estudos sugerem maior frequência de hiperatividade, depressão, queixas somáticas e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). A criança pode apresentar dificuldade de organização e na memória operacional, e ter prejuízo na linguagem oral. Outras pesquisas ainda indicam predisposição à inflamação, tromboembolismo e hipertensão arterial pulmonar, entre outras disfunções”.

Os pais devem valorizar os sinais e sintomas da apneia pediátrica, uma vez que a detecção precoce é a chave para minimizar os impactos físicos, psicológicos e sociais, e conduz para o tratamento eficaz, restabelecendo a qualidade de vida e do sono da criança. “Durante o dia, os responsáveis precisam prestar atenção no desempenho escolar do filho; nas oscilações de personalidade como mau humor e irritabilidade; se ele apresenta sonolência em horários não usuais; fadiga ou cansaço e dor de cabeça pela manhã. Já no período noturno, é necessário observar o ronco, se é frequente e mais de três vezes por semana; as pausas respiratórias; se existe dificuldade de respirar pelo nariz, dormindo de boca aberta e nos constantes acordares e movimentos para mudanças de posição para dormir. É comum também a criança com SAOS urinar na cama, mesmo tendo prévio controle”, salienta Rossi.

O principal fator de risco em crianças não obesas e sem doenças associadas é a hipertrofia adenomigdaliana – aumento fisiológico das amígdalas e das adenoides. A obesidade também é uma causa frequente, assim como o desvio de septo e a hipertrofia de cornetos (quando as conchas nasais atingem um tamanho demasiado, obstruindo a passagem de ar). As alterações craniofaciais, as síndromes genéticas e as doenças neuromusculares são outras condições que podem levar
à apneia do sono infantil.

O tratamento dependerá do diagnóstico da causa da síndrome. Em alguns casos, a recomendação pode ser perda de peso, medicamentos com corticoides intranasais e opções cirúrgicas ou ortodônticas. “De forma preventiva é possível tratar as deformidades dentofaciais. O ortodontista com formação em Odontologia do Sono pode realizar tratamento clínico da SAOS por meio de aparelhos intraorais de avanço mandibular, que tem por objetivo aumentar temporariamente o volume das vias aéreas superiores, promovendo a redução ou eliminação do ronco e dos eventos respiratórios obstrutivos durante o sono.
Em crianças e adolescentes, a técnica ortopédica facial pode ser instituída para corrigir, por exemplo, a mordida cruzada
posterior”, explica o professor.

Fonte: ABSONO (8ª edição)